08/04/08

A Zitinha escreveu o seu primeiro poema de amor. Telefonou-me, jurou-me inumeras vezes que não estava apaixonada e leu-mo. Fiquei com os olhos rasos de água. Cresceu. Está linda a crescer.

Gula Santa
Precisamos de alguém que engula a santa toda.

Patapata
Pequeno pente que se prende num elástico na palma da mão e serve para pentear o cabelo curto carapinha,normalmente de pele negra. Uma rubrica que incluirei no blog para narrar as aventuras de dança na Bahia.

A Casa do Bento
Marquei o numero de telefone de Portugal.
A mãe atendeu:
- Filho - gritou. [Ela acha que quanto mais longe se esta mais se precisa gritar, afinal, em Estremoz pedia-se a interurbana à menina Alice, e era preciso esperar e gritar. Oh, como se gritava!]
- Estou óptima, graças a Deus - continou sem ele lhe ter perguntado nada - fui à missa aos Jerónimos, não oiço nada do que o Padre diz mas gosto da igreja, depois fui com a tia Leonor almoçar ao Porto Brandão e de seguida para a EXPOR. Sempre se apanha sol e já sabes que a mãe gosta do teleférico, ó que diabo se chama aquilo. Isto aqui está muito mal ,até aumentaram o iva para 20%....
- Está tudo bem de saúde? - indagou ele, como faz todos os domingos.
- Também acho, rude muito rude, é bom primeiro-ministro mas muito rude, mudou a hora, e vai-se andando.

Rua da Liberdade
Gostei tanto de vos ver e de estarmos juntos... aprendi convosco que ainda estamos a tempo...


Métrica
Amiga, TOC, TOC... toma os comprimidos!


Escrita em baianês
Tou quase baiano! [Consulte o glossário no final do texto.]
Certa feita, saí cedinho de casa prum falapau na casa de meu amigo Muriçoca, lá no fim de linha do Pau Miúdo. Tava o maior auê no ponto de ônibus. Gente como a porra, uma renca de menino oferecendo geladinho(6), um esmolé cheio do pau abusando todo mundo, vendedor de rolete gritando feito a porra, e os garotos vendendo menorzinho no quente-frio colorido. De junto de mim, um cabo verde todo enfatiotado passava a patapata na cabeça, enquanto que defronte a filha da baiana do acarajé, uma menina cheia de pano branco, mastigava um cacetinho. Eu já tava ficando retado, porque já fazia uma hora de relógio que a zorra do buzu não passava. Aí a arabaca chegou, cheia como quê. Tive que entrar a pulso, mas pra tomar uma eu faço qualquer coisa, e na paleta é que eu não ia. Aporrinhado, fui me espremendo lá pra frente e consegui passar pela borboleta. Num daqueles freios de arrumação, fiquei de pau duro, fazendo terra num graxeiro bem moderninho, toda empiriquitado, mais enfeitado que jegue na Lavagem do Bonfim. Ele tinha uma inhaca, que misturada com o espanta nigrinha que usava, me causava um certo entojo. Mas eu, que faço terra desde o tempo de dom corno, não ia vacilar. «É hoje que eu vou lavar a jega» - pensei. E fiquei ali, mal sabendo o esparro em que eu ia cair. É que daí a pouco o motorista deu outro freio de arrumação e eu me desapartei da tribufuzinha e me encaixei num negão tipo segurança do Olodum. Tá rebocado: eu pensei que ia bater a caçuleta. O negão virou e fez: «Qualé meu irmão? Tá procurando frete comigo, é? Eu lhe dei ozadia por acaso?» Resultado: levei um cachação que doeu como corno, e fui parar lá na casa da porra. Foi o maior mangue dentro do buzu. Enquanto eu me lenhava, ouvia o povo dizer: «Pique a porra nesse chibungo, ôôôôxe, tem mais é que estabocar com este sacana mesmo.» No meio daquela zuada toda, resolvi tirar o corpo e na primeira sinaleira em que o buzu parou eu me piquei. Jurei que nunca mais entro em carro com enxame de gente. Quanto às fubuias, tive que infonar, mas de hoje a oito possa ser que eu passe lá. Só que na próxima vez vou pedir a um taquiceiro pra me levar, que eu não sou menino nem oreba pra ximbar de novo.

Glossário:
Falapau: ;
Muriçoca: mosquito;
Pau Miúdo: bairro;
Auê: confusão;
Renca: grupo;
Geladinho: refresco congelado dentro de um saco plástico;
Esmolé: (esmoler), pedinte, mendigo;
Cheio do pau: bêbado;
Rolete: pedaço de cana;
Menorzinho: café pequeno;
Quente-frio: garrafa térmica;
Cabo verde: indivíduo de pele escura e cabelos lisos;
Enfatiotado: bem vestido;
Patapata: espécie de escova de cabelo;
Defronte: em frente;
Cacetinho: pão francês, bisnaga;
Retado: aborrecido, com raiva;
Hora de relógio: hora exata;
Buzu: ônibus;
Arabaca: veículo muito velho;
Tomar uma: beber (principalmente cachaça);
Na paleta: a pé;
Aporrinhado: chateado, aborrecido;
Borboleta: catraca;
Fazendo terra: roçando o órgão sexual em outra pessoa;
Graxeira: empregada doméstica;
Empiriquitada: bem vestida;
Jegue: burro;
Nigrinha: pessoa desqualificada;
Entojo: enjôo;
Tempo de dom corno: antigo;
Lavar a jega: se dar bem;
Esparro: situação desagradável.
Tribufuzinha: ;
Tá rebocado: ;
Caçuleta: ;
Frete: ;
Cachação: ;
Como corno: ;
Casa da porra: ;
Mangue: ;
Lenhava: ;
Pique a porra: ;
Chibungo: ;
Estabocar: ;
Zuada: ;
Sinaleira: semáforo;
Me piquei: fugi;
Fubuias: ;
Infonar: ;
De hoje a oito: ;
Taquiceiro: ;
Oreba: ;
Ximbar: ;

3 comentários:

Rosário Aragão disse...

Gosto de te ver de volta.

Anónimo disse...

Saudades de todos aqui na França,adoro ler seu blog e o da Sophia. Só assim para ter noticias de vcs. continua escrevendo. Mande o contato da Sophia para meu email.
bjss para Caquinho,Alfredo,Zé e um enorme para vc.
Fernanda

Miguel disse...

Lindo, adorei a escrita em Baianês!
Abraços!