21/04/08

Segunda, feriado do Tiradentes


1746: Nasce em Pombal, distrito de S. José d’el Rei (hoje Tiradentes), Minas Gerais; Os pais são Domingos da Silva Santos, nascido em Portugal, e Maria Antónia da Encarnação Xavier, nascida na Vila de São José d’el Rei (Brasil). 1755: Morre Maria Antónia; o viúvo e os órfãos mudam-se de vez para a Vila de São José. 1757: Órfão de pai. 1780: Arregimenta-se como soldado. 1781: É promovido a Alferes. 1786: A mando do governador da capitania de Vila Rica, leva brilhantemente a cabo estudos demográficos, geográficos, geológicos, mineralógicos - quer de aplicação civil, quer militar. 1788: Envolve-se na Inconfidência contra a Coroa portuguesa. 1789: Como conspirador, é preso no Rio de Janeiro. 1792: É enforcado em praça pública e depois esquartejado.



A estrela d'alva me acompanha
iluminando o meu caminho
Eu sei que nunca estou sozinho
Pois tem alguém que está pensando em mim
Suite dos pescadores, Dorival Caimy

O rei vai nu

A campanha do comité olimpico alemão merece registo.

Teco
Toma cuidado.

Fefa
Corre mulher, tu corre... eu já sou um caso perdido.


Tropeços do cavalo

Fala-se muito em neoliberalismo pa­ra definir o novo caráter do capita­lis­mo. O que significa isso? A essência do capitalismo é a progressiva acumu­la­ção do capital em mãos privadas. Os bens já não têm valor de uso; têm valor de troca. Não são para se viver; são para se vender. No capitalismo, o di­nheiro – essa abstração que represen­ta valor – está acima dos direitos e das necessidades das pessoas. Como observa Houtart, após a Se­gunda Guerra Mundial três fatores puxaram as rédeas do cavalo de corri­da chamado capitalismo: o fortaleci­men­to do movimento operário e o medo da expansão do comunismo, que fize­ram com que os Estados burgueses re­gulassem os direitos trabalhistas; a im­plantação do socialismo no Leste euro­peu; e o projeto de desenvolvimento na­cional em países pobres como o Bra­sil (conferência de Bandung, Indonésia, 1955).Esses três fatores eram a pedra no casco do sistema capitalista que, por força deles, se viu obrigado a reduzir seu nível de acumulação e sua liber­da­de de apropriar-se de tudo que possa gerar riqueza.

O cavalo reagiu. Deu um coice na re­gulação do trabalho, lesando os di­rei­tos dos operários sob os eufemismos deflexibilização, terceirização etc., des­mobilizando o movimento sindical e au­mentando consideravelmente o índice de trabalhadores informais e o desem­prego, agravados pela crescente infor­ma­tização da economia. O segundo coice foi no socialismo, com a derrubada do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética, acrescido da cooptação da China. O terceiro, a globo-colonização, a internacionalização da economia e a imposição ao planeta de um único mo­de­lo desociedade, o anglo-saxónico, que predomina na zona rica do planeta.

Eis o neoliberalismo: livre de ré­deas e de freios, o cavalo corria desa­ba­lado na pista da acumulação. Sempre acontece, como sabemos que que a vida é feita de impre­vis­tos. O sistema carrega em si as suas pró­prias contradições. Como apontou Marx,(meu querido Marx) ele é o seu próprio coveiro. E, ago­ra, o cavalo vê-se obrigado a desa­celerar sua corrida por força da crise ecológica (o aquecimento global), da crise de superprodução(há mais oferta que demanda de produtos) e da atual crise financeira que exaure os bancos dos EUA, faz mais de 1milhão de pes­so­as verem evaporar seu sonho de ca­sa própria, e provoca, em apenas um mês, o desemprego de maisde 35 mil bancários americanos.

Os governos dos países capitalistas vivem a queixar-se de que o déficit pú­blico é alto e eles não têm dinheiro pa­ra o essencial: alimentação, saúde e educação etc. Porém, na hora em que o cavalo tropeça, o dinheiro ime­diatamenteaparece para socorrê-lo. Bush libertou 145 mil milhões de dólares para tentar evitara recessão norte-americana, e os Bancos Centrais do mundo rico tratam de disponibilizar seus balões de oxigénio financeiro aos bancos asfixiados pela crise ou em ago­nia diante de um mercado inadim­plente.Ora, não viviam a conclamar que o mer­cado é o melhor regulador da eco­nomia?

Não viviam apregoando: me­nos Estado e mais mercado”?
Por que agora todos correm aos braços acolhedores do Estado de bem-estar financeiro? E de onde veio toda essa fortuna antes negada aos direitos soci­ais,ao socorro da África, ao cumpri­men­to das Metas do Milênio?A recente reunião de Davos, clube que aglutina os donos do dinheiro, foi como um conclave de cardeais que, de súbito,descobrem que Deus não exis­te. Eis abalada a fé no mercado. Se ele trouxe tantas bênçãos aos eleitos da fortuna, agora ameaça com maldi­ções.O curioso é que a origem do pro­ble­ma não é mundial. É local, nos EUA. Como toda a economia mundial se atrelou à hegemonia unipolar de Wall Street, se este espirra, o mundo tem gripe. Resta esperar para conferir se a gripe é passageira, curável com um anal­gésico, ou levará o doente à cama, acometido por febres e infecções.O que ninguém duvida, entretanto, é que, mais uma vez, aconta de tantos tropeços do cavalo será paga pelos pobres.

Assim funciona o sistema que promete – liberdade, prosperidade e paz para todos - e não cumpre. Há que buscar um outro mundo possível. LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE?


Patapata (quem dança com quem)
Domingo no meio de um feriadão. Pela primeira vez fui à barraca da Aruba. Na verdade não se trata de uma barraca, mas de três barracas de praia lado a lado. As barracas são frequentadas pelo público do vício florentino ou italiano, como Luís XIV gostava de lhe chamar. São na areia da Praia e quando o sol se põe, a música sobre de tom e dança-se como se fosse uma discoteca em plena praia ao ar livre. Como a entrada é absolutamente grautuita, porque o acesso às praias no Brasil é livre, a categorização social das barracas faz-se pelo preço e marca da cerveja. Assim, na primeira barraca está o povo favelado, a cerveja é skoll, e custa dois reais cada. A música eleita é o pagode e o Creo... Imperam aí as cabeleireiras, os riscos nos olhos, os travestis e os negões malhados que dançam pagodão.
Na segunda barraca mesmo ao lado, toca-se Axé, Britney Spears e nada de pagode. As roupas são um pouco mais sofisticadas. Tem o universo das escriturárias, estudantes de Liceu e povo dos subúrbios de Salvador que trabalha em telemarketing e já tem dinheiro para beber SKIN a 3 reais. A dança é muito compactada e sensual.
Na terceira barraca imperam os calções e sandálias Osklen, as Lacostes, ouve-se Madona, Mariah Carey, há um sistema de luzes ainda que imberbe e a fauna é composta por filhinhos de papai estudando em liceus e colégios caros,onde a propina normalmente significa aproveitamento. As outras barracas chamam a esta terceira a Zona Sul (chic). A cerveja é Bohemia a 4 reais. Como sou gringo tenho o privilégio de viajar entre a Zona sul e o Creuzão preferindo indefectivelmente o último. Dancei até não poder mais, bebi duas cervejas e paquerei.
Fiquei surdo. A dificuldade é que como as barracas são muito juntas, a música confunde-me. Já momentos em que se ouve: "Rala a tcheca no chão, gimme gimme gimme, uvas no céu da sua boca."

20/04/08

Domingo

Hoje estava com vontade de esquiar.

19/04/08


A tristeza foi embora.

Sábado de volta do computador e do fogão do bacalhau


Isabel I, a era de oiro
Eu gosto de rainhas e de cortes e de vestidos e coisas assim mas o filme é ruim. Historicamente é uma farsa montada sem qualquer preocupação de rigor, numa despudorada apologia dos ingleses e do seu amor pela liberdade. Filipe de Espanha era católico, mas era um politico e não era nem fraco nem burro.Tinha um projecto não só para Espanha mas para o mundo de então, de quem era a maior potência. A Invencível Armada perdeu nos mares ingleses porque os Galeões eram enormes,verdadeiros palácios flutuantes, com aposentos dignos de seus viajantes e porões enormes. Essa característica tornava-os pesados e difíceis de manobrar sobretudo na viragem o que deu vantagem ás caravelas inglesas mais velozes e por isso mais traiçoeiras e vitoriosas. A juntar a tudo isto o cargo de Almirante da Armada foi dado por inerência ao Duque de Medina - Sidónia, que praticamente nunca tinha entrado num barco. A propósito desta apologia da Inglaterra leiam: "O império à deriva, para verem como eram como piolho em costura de camisa." Não gosto de ver tratado um assunto de forma tão pateticamente hollywoodesca. Amei as roupas.


Amores, comprem e governem-se
Dedicado a dois cavalheiros que conheço, às três, à árvore de natal e às tias do Vasquinho.

POR UM PREÇO DE APENAS R$5,00 VOCÊ LEVA O MANUAL DE MAGIA FEITIÇOS E SIMPATIAS E DE BRINDE VOCÊ LEVA O CURSO "TUDO SOBRE CROMOTERAPIA" DE 400 PÁGINAS MAGIA FEITIÇOS E SIMPATIAS PARA; IMPOTÊNCIA TRAGA SEU MARIDO DE VOLTA FAÇA SEU NAMORADO SER FIEL PARA ESPOSA AMARRAR MARIDO PARA MELHORAR O CASAMENTO PARA CASAR COM NAMORADO PARA MARIDO LARGAR AMANTE PARA VIÚVA ARRANJAR BOM CASAMENTO PARA MULHER IDOSA CONSEGUIR MARIDO PARA TRAZER FELICIDADE NO CASAMENTO PARA RECONCILIAÇÃO DO CASAL PARA PRENDER O NAMORADO (SÓ PRA MULHERES) PARA ARRUMAR CASAMENTO AINDA ESTE ANO (PARA MULHERES) PARA AFASTAR ALGUÉM DO SEU MARIDO OU SUA MULHER.


Casa do Bento
- Está lá? Mãe? - gritou ele.
- Sim sou eu. Não grites que não sou surda.
- A médica mandou-me um email a dizer para a mãezinha não ir ao consultório amanhã, porque não vai poder dar consulta.
- Já sei, disse-me a tua irmã... A tia Leonor caiu e partiu a cabeça. Não pára sossegada - afirmou consternada.
- Levanta-se, areja o quarto e faz a cama rapidamente para depois vir tomar o pequeno-almoço comigo. Como estava atrasada, escorregou no tapete e caiu.
- Então a que horas combinaram no Café? - Perguntou ele curioso.
- Às 7h00. Aquela porcaria só abre às sete.
- Mas para que combinaram tão cedo, iam a algum lado depois? - Retorquiu ele tentando manter o diálogo.
- Não. Mas toda a gente sabe que o pequeno-almoço se toma de manhã cedo.


Zitinha
A mulher da minha vida. Chata que só visto, geniosa, mas a minha filha querida.

Adri
Vai ao encontro da vida e do sonho. Espero que Brasília o envolva e lhe estenda seu manto de odores e de terra vermelha. Um beijo da Bahia-de-Todos-os-Santos.

Métrica
Foda-se. Tou-te a ver, não penses que me enganas! Tou na fase da sopa Knorr. Paulinho se ela não TOC põe-lhe os remédios no shampoo.

Cavaleiro
Toc, toc, toc...

Patapata
Porque hoje é sábado... nunca se sabe.

17/04/08

Jueves


Engula a santa
A santa está enfeitiçada,
não há quem desenguiçe
meu pai Luango valei-me
trazei-me o que preciso
dá-me o que só tu sabes
dou-te a jóia
dá-me a paz!

No vermelho mesmo!


(a diferença é que me chateio menos)


MJC
Diz-me que em Portugal só passam na TV reportagens sobre o Movimento Nacional Feminino, ou sobre a Maçonaria...
O Grão-Mestre, de um Grande Oriente note-se, foi corajoso dizendo que os católicos não podem ser maçons. Entendo. O catolicismo não gosta de larguezas, aliás, nenhuma religião gosta da prática do Livre-Pensamento.
Ser maçon passou a ser, na Inglaterra do Imperio um sinal de ascensão social. Esta(incompatibilidade religiosa) é uma velha questão interna da Maçonaria: qual é a regular (Grandes Lojas) e qual é a irregular (Grandes Orientes). Não é uma questão que inquiete os maçons comuns. O que interessa é o VITRIOL e trabalhar a pedra bruta... quando assim é, nascem países como a Bolivia, o Brasil, os Estados Unidos, reconhecem-se compositores como Mozart, Haydn, Wagner e poetas como Pessoa, Castelo Branco, Quental entre tantos outros.
A pedra... tratem da pedra.


Patapata (quem dança com quem)
Não vi Samantha Raio Laser. Deitei-me em casa às 21h30. Hoje vou ao Bossa-Nova no Largo da Mariquita.


Para a mulher a quem estão a cair as sobrancelhas: Antes isso do que ter o cu como uma alcachofra, dixit o Lascado de Itabuna

16/04/08

Quarta-feira dia de Luango

M'espanto às vezes, outras m'avergonho...
(Sá de Miranda)


Natalie d Éssay e Juan Diego Florez
A melhor Fille du Regiment de Donizetti em Nova York no final do mês. No tempo do Império o conde ia, agora, viva o bacalhau e nem esse... http://www.youtube.com/watch?v=WAXSiHbLfEM


Casa do Bento
Uma casa portuguesa concerteza
- Está lá mãezinha, como vai? - perguntou ele com pronúncia brasileira
- Meu querido, a mãezinha tem muitas saudades - respondeu ela de imediato.
- As tias estão bem, a saúde da mãe como está? Está tudo bem? - Indagou ele como é da praxe.
- Olha, tenho uma notícia muito triste a dar-te - anunciou com voz grave - o vizinho de baixo, o João, está preso, imagine-se, preso!
- Preso? Porquê? - Perguntou incrédulo.
- Branqueamento de capitais - respondeu ela.
- Dizem que lavava dinheiro. Que vergonha, uma pessoa presa, e do nosso prédio. Enxovalha toda a gente que aqui mora e se vê envolvida nestes falatórios.Eu bem que desconfiava quando descia do quinto para o quarto andar e via um patinho em loiça à porta de casa. Aquilo devia ser o sinal para avisar que ali era a casa onde se lavava o dinheiro. A mim nunca me enganou. O que me intriga é que o pato ainda lá está e não há ninguém em casa. Eu agora nem lá vou com medo que me vejam ao pé do patinho.

Patapata (quem dança com quem)
Domingo é dia de Originaly - um bar ao ar livre em Patamares. Todas as fufas e as cabeleireiras de Salvador vão lá dançar. Das 19 às 23 horas o ambiente é animado pelas "Cachorronas", uma banda que canta desde ABBA até Axé e Pagode. Fui só. Dancei até desengonçar as cadeiras. Voltei para casa... leve, não fosse uma hamburguer no caminho, que arrasou com a queima de calorias.

Quarta-Feira
a ver se hoje consigo ver a Samantha Raio Laser a imitar a Mariene.

Subway
Uma loja igual a qualquer outra no centro de qualquer cidade. Hoje em dia preciso fazer uma graduação para comprar numa loja de fast food. Assim que entras a vendedora gutureja:
- Próximo.
Vencida esta batalha ela pergunta:
- Promo combi, 15cm, molho e cookie?
- O quê? - respondi eu.
Olhou-me como se fosse alien, branco, gringo diminuido por não saber comprar numa loja tão chic.
- Moça - gaguejei eu - quero uma sanduiche vegetariana.
- 15 ou 30?
- 41 - retorqui.
Ainda foi pior, ela não entendeu a piada e disse que só tinha sanduiches até 3o cm, mais do que isso tinha de falar com o gerente, mas não era promoção concerteza.
- 300 ou 500? - continou.
- O quê? - perguntei.
- O tamanho da bebida.
Porra estava estafado. Não volto lá sem levar a Zitinha que entende este linguajar.

Abril
Em Portugal águas mil, mas na Bahia também chove um barril ou outro. Mês de luas e de mudanças profundas. O Terreiro de São Jorge faz 60 anos e o dono da casa, Gongombira, vai ser cultuado numa grande festa popular.

Mães, quero ser doutor
Depois dou notícias.

Querida, se as sobrancelhas te estão a cair vem à Bahia que aqui é só filhoses, e vais ver que te fazem bem, orelhas de abade, cosocorões, fritinhos de abóbora, línguas de gato, enfim, uma panóplia de fritos diversos.

11/04/08


A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer
Veja o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer
O samba é o filho da dor
O grande poder transformador
Caetano Veloso


Patapata (quem dança com quem)
Terça-feira, estava para ir ver Samantha Raio Laser que imita a Mariene de Castro no beco dos artistas. A meio do show faz um dueto com a avó... Enganei-me no dia e horário e cochilei no bar... estou velho. Noite de Quinta, fomos comer manissoba e escutar bossanova. Bossanova é para mim um samba de roda dos meninos de apartamento, filhos de papai, mas ainda assim bonito. Foi uma noite agradável, descontraida na associação presidida por Padre Alfredo, um corajoso jesuita que assumiu o seu relacionamnento homosexual e se desclaustrou. Celebraremos uma missa "de angelis" em breve. Noite de sexta... babalotim e logo se ve onde se dançará. Só me interessam lugares com gente simples e divertida. Nada de sofisticação e classe A, que aqui é da pesada. Um porre.

Casa do Bento
Uma casa portuguesa concerteza
- Estou, Mãezinha, é o Paulo.
- Filho, está aqui muito frio. Ninguém se preocupa com os velhos. O frio mata as pessoas dentro de casa. Deviam dar um subsidio para a luz.
- Mas a mãe tem sempre as janelas abertas - retroquiu ele.
- Se telefonaste para desconversar, não vale a pena gastares dinheiro.

10/04/08

Ai Bahia, Bahia-de-Todos-os-Santos


Katinguelê, Katinguelê
Katinguelê, Katinguelá
Quem não tem cabelo
Não carrega trança
Quem não tem amor na Bahia
Não manda lembrança
Katinguelê, Katinguelê
Katinguelê, Katinguelá


«Nós somos todos quem nos faz a História»
[Fernando Pessoa]

Lindo, fúnebre e solitário são três adjectivos que Maria Filomena Mónica usou para descrever Dom Pedro, o quinto deste nome, que reinou em Portugal de 1853 a 1861. Esperava, com ânsia, esta biografia, apesar de vir das mãos de uma socióloga de formação e não de um historiador. Nestas coisas sou, cada vez mais, um purista. Mas, dado que tinha gostado e continuo a gostar do trabalho de MFM sobre Eça de Queirós, punha grandes expectativas no trabalho sobre o rei que mais admiro na História de Portugal. Fiquei francamente desiludido. Longe do trabalho de análise de José Mattoso sobre Afonso Henriques, Maria Filomena Mónica conduz, com mestria - não há dúvida disso - um longo discurso sobre a época da Regeneração; período em que Dom Pedro teve a sorte de nascer e reinar, mas quando se dirige ao monarca, sua personalidade e acções, dá constantemente uma no cravo e outra na ferradura. Ela própria tem o bom senso de avisar no prólogo, ao dizer que a sua «visão de D. Pedro mudou ao longo do tempo, mas isto aconteceu - o que é estranho - de uma forma não linear.
Não passei de um dia para o outro da tese de D. Pedro ser um monarca petulante, pérfido e funesto, para a concepção de que, pelo contrário, fora um rei romântico e honesto» (p. 8).
Grande parte do livro é dedicado a avaliar as relações de D. Pedro com Fontes Pereira de Melo, o «ídolo» de Maria Filomena Mónica, e à medida que o primeiro vai perdendo a confiança no segundo, também a autora vai desenhando a impressão de um rei absolutamente cruel com aqueles que o serviam - em particular com o «pobre» Fontes que até modernizou o país e a quem o monarca dedicava profundo desprezo… a avaliação a preto e branco que M.F.M. não queria para esta biografia torna-se numa luta maniqueísta, entre o pedante príncipe e rei e o puro, simples e frugal Fontes Pereira de Melo, um suposto self made man que trouxe a Civilização ao país.
Outras vezes - menos vezes, porém-, MFM lá se rende à imagem do rei-belo, culto, profundamente entregue ao seu país e a um trabalho inglório de intervenção régia no recém implantado sistema partidário nacional - inglório porque D. Pedro («mais coburgo do que Bragança», como a própria autora refere numa miserável conclusão que deslustra a obra inteira…) nasceu no sítio errado, no tempo errado. O que não deixa de ser verdade, mas não tira qualquer mérito a este monarca de cristal aprisionado num castelo de areia que era o Portugal de meados de oitocentos - não muito diferente, aliás, do país de hoje: corrupção, uma nobreza ociosa e profundamente boçal, um povo indolente e incapaz constituiam a amálgama social da época.
D. Pedro enchia os ministros e o Paço com anotações e memorandos. Lia tudo, queria saber tudo, queria dar opinião sobre tudo. Era um obcecado, disso não há dúvida. E um incompreendido. Escarnecia do país, mas, ao mesmo tempo amava-o, sem que o fatalismo e incapacidade de tudo resolver, lhe deixassem assumir a função de salvador da pátria.
Mas a dimensão do rei é mensurável, sobretudo, pela leitura das cartas que trocou com o seu tio Alberto, marido da rainha Vitória. Textos absolutamente bem redigidos com observações que ainda hoje são actuais. Se há algum defeito a imputar a Dom Pedro V, tal defeito será o da impaciência.
Recusar-se a adequar a sua personalidade ao seu tempo e à dos débeis homens que o rodearam teve como paga a morte precoce. Não deixou de ser, efectivamente, e como MFM o adjectiva, «lindo, fúnebre e solitário» - para mim qualidades que assentam bem num monarca

08/04/08

A Zitinha escreveu o seu primeiro poema de amor. Telefonou-me, jurou-me inumeras vezes que não estava apaixonada e leu-mo. Fiquei com os olhos rasos de água. Cresceu. Está linda a crescer.

Gula Santa
Precisamos de alguém que engula a santa toda.

Patapata
Pequeno pente que se prende num elástico na palma da mão e serve para pentear o cabelo curto carapinha,normalmente de pele negra. Uma rubrica que incluirei no blog para narrar as aventuras de dança na Bahia.

A Casa do Bento
Marquei o numero de telefone de Portugal.
A mãe atendeu:
- Filho - gritou. [Ela acha que quanto mais longe se esta mais se precisa gritar, afinal, em Estremoz pedia-se a interurbana à menina Alice, e era preciso esperar e gritar. Oh, como se gritava!]
- Estou óptima, graças a Deus - continou sem ele lhe ter perguntado nada - fui à missa aos Jerónimos, não oiço nada do que o Padre diz mas gosto da igreja, depois fui com a tia Leonor almoçar ao Porto Brandão e de seguida para a EXPOR. Sempre se apanha sol e já sabes que a mãe gosta do teleférico, ó que diabo se chama aquilo. Isto aqui está muito mal ,até aumentaram o iva para 20%....
- Está tudo bem de saúde? - indagou ele, como faz todos os domingos.
- Também acho, rude muito rude, é bom primeiro-ministro mas muito rude, mudou a hora, e vai-se andando.

Rua da Liberdade
Gostei tanto de vos ver e de estarmos juntos... aprendi convosco que ainda estamos a tempo...


Métrica
Amiga, TOC, TOC... toma os comprimidos!


Escrita em baianês
Tou quase baiano! [Consulte o glossário no final do texto.]
Certa feita, saí cedinho de casa prum falapau na casa de meu amigo Muriçoca, lá no fim de linha do Pau Miúdo. Tava o maior auê no ponto de ônibus. Gente como a porra, uma renca de menino oferecendo geladinho(6), um esmolé cheio do pau abusando todo mundo, vendedor de rolete gritando feito a porra, e os garotos vendendo menorzinho no quente-frio colorido. De junto de mim, um cabo verde todo enfatiotado passava a patapata na cabeça, enquanto que defronte a filha da baiana do acarajé, uma menina cheia de pano branco, mastigava um cacetinho. Eu já tava ficando retado, porque já fazia uma hora de relógio que a zorra do buzu não passava. Aí a arabaca chegou, cheia como quê. Tive que entrar a pulso, mas pra tomar uma eu faço qualquer coisa, e na paleta é que eu não ia. Aporrinhado, fui me espremendo lá pra frente e consegui passar pela borboleta. Num daqueles freios de arrumação, fiquei de pau duro, fazendo terra num graxeiro bem moderninho, toda empiriquitado, mais enfeitado que jegue na Lavagem do Bonfim. Ele tinha uma inhaca, que misturada com o espanta nigrinha que usava, me causava um certo entojo. Mas eu, que faço terra desde o tempo de dom corno, não ia vacilar. «É hoje que eu vou lavar a jega» - pensei. E fiquei ali, mal sabendo o esparro em que eu ia cair. É que daí a pouco o motorista deu outro freio de arrumação e eu me desapartei da tribufuzinha e me encaixei num negão tipo segurança do Olodum. Tá rebocado: eu pensei que ia bater a caçuleta. O negão virou e fez: «Qualé meu irmão? Tá procurando frete comigo, é? Eu lhe dei ozadia por acaso?» Resultado: levei um cachação que doeu como corno, e fui parar lá na casa da porra. Foi o maior mangue dentro do buzu. Enquanto eu me lenhava, ouvia o povo dizer: «Pique a porra nesse chibungo, ôôôôxe, tem mais é que estabocar com este sacana mesmo.» No meio daquela zuada toda, resolvi tirar o corpo e na primeira sinaleira em que o buzu parou eu me piquei. Jurei que nunca mais entro em carro com enxame de gente. Quanto às fubuias, tive que infonar, mas de hoje a oito possa ser que eu passe lá. Só que na próxima vez vou pedir a um taquiceiro pra me levar, que eu não sou menino nem oreba pra ximbar de novo.

Glossário:
Falapau: ;
Muriçoca: mosquito;
Pau Miúdo: bairro;
Auê: confusão;
Renca: grupo;
Geladinho: refresco congelado dentro de um saco plástico;
Esmolé: (esmoler), pedinte, mendigo;
Cheio do pau: bêbado;
Rolete: pedaço de cana;
Menorzinho: café pequeno;
Quente-frio: garrafa térmica;
Cabo verde: indivíduo de pele escura e cabelos lisos;
Enfatiotado: bem vestido;
Patapata: espécie de escova de cabelo;
Defronte: em frente;
Cacetinho: pão francês, bisnaga;
Retado: aborrecido, com raiva;
Hora de relógio: hora exata;
Buzu: ônibus;
Arabaca: veículo muito velho;
Tomar uma: beber (principalmente cachaça);
Na paleta: a pé;
Aporrinhado: chateado, aborrecido;
Borboleta: catraca;
Fazendo terra: roçando o órgão sexual em outra pessoa;
Graxeira: empregada doméstica;
Empiriquitada: bem vestida;
Jegue: burro;
Nigrinha: pessoa desqualificada;
Entojo: enjôo;
Tempo de dom corno: antigo;
Lavar a jega: se dar bem;
Esparro: situação desagradável.
Tribufuzinha: ;
Tá rebocado: ;
Caçuleta: ;
Frete: ;
Cachação: ;
Como corno: ;
Casa da porra: ;
Mangue: ;
Lenhava: ;
Pique a porra: ;
Chibungo: ;
Estabocar: ;
Zuada: ;
Sinaleira: semáforo;
Me piquei: fugi;
Fubuias: ;
Infonar: ;
De hoje a oito: ;
Taquiceiro: ;
Oreba: ;
Ximbar: ;

07/04/08

Enxergar

25/03/08

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci

Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim

Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei

Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós

Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi

De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

23/03/08

SURREXIT DOMINUS VERE
SURREXIT CHRISTUS HODIE
ALELULIA, ALELUIA.

Páscoa de páscoas
que semeaste nas lágrimas
o pão que doira as manhãs
da alegria do teu passar.

15/03/08

Parabéns, Pai!

PS: Queres um croquete do Imperador?
Tão acabadinhos de sair do forninho...

Parabéns, Pai!

PS: Sabes que te adoro, não sabes?

Parabéns, Sapo!

PS: Afinal, quantos são? 29? 18? 41?
Ou tudo junto, para sempre?

12/03/08

Era vulgar

11 de Março 2008 e:.v:.
Há 10 anos saí de uma gruta no centro da terra. Três viagens fiz e outras tantas pedras encontrei. Procuro aquela especial, a filosofal. Sinto-a mas não a vejo, procuro-a, desejo-a, cheiro-a. Descobriram-me morto, ressuscitaram-me marcando-me com as acácias, obrigaram-me a caminhar dia-a-dia dentro de mim mesmo e a trilhar caminhos que já andei. As estrelas da abóbada são as minha únicas guias, caminho nas linhas entre o branco e o preto. Caminho no sentido do tempo, caminho num círculo, caminho devagar... mas caminho. Regem-me a régua e o compasso, acompanha-me a rainha da noite. Sei que de lá virá a Luz...

Still the only thing...
Desceram a colina de mão dada, jantaram à beira-mar virados para o Castelo velho e mal iluminado. Amaram-se desencalmados e o sabor que passaram de uma boca para a outra permaneceu. É o mesmo sabor, repetido tantas vezes, os mesmo abraços e olhares, os ciúmes e desalento, as vitórias, os obstáculos, os tormentos. A espuma traz-lhe novas vozes, abraços e cuidados. Juntos sabem que tudo vale a pena.

Estou em choque.

Quando era miúdo havia poucos automóveis de marca Mercedes em Lisboa. O mercedes era carro de gente rica ou de estado, pretos, normalmente, com motoristas fardados que impunham um respeito e uma áurea digna da tradição prussiana donde provinha a marca. Com a Revolução dos Cravos extinguiram-se os Mercedes restando apenas a conhecida Mercedes, mas desta feita, Balsemão. Era a única. Primeira dama, mulher de um primeiro-ministro que antes de o ser já era rico. Hoje esta puta desta cidade tem Mercedes em todo o lado. Ele há-os com todas as letras: classe A,B,C,D,E a que se juntam os xpto, ddi, opt, fufufu, enfim, siglas para dizerem que o saloio que vai lá dentro tá cheio de papel... e como diz a minha mãe indignada: «compram carros destes, mas e a gasoil
Não há esquina, viela ou passeio que não tenha um mercedes de qualquer cor ou feitio. Até já os desenham tipo "acaralhados" para o dono poder dizer sem medo: «O meu é maior que o teu.»; «O meu é mais potente do que o teu» ou «o meu é mais caro do que o teu.»
Balsemão, Mercedes, volta que estás perdoada.

A casa do Bento
Piqueno apartamento junto ao Rio Tejo, com janelas amplas e luminosas... e também ventosas.

Episódio 1
Ele entra e beija a mãe.
Ela pergunta-lhe:
- Por onde andaste?
- Fui ao Chiado - respondeu ele.
- Onde?
- Ao chiado...
- Foste onde?
- Ao chiado - gritou, agora com um pouco mais de força.
- Estás para desconversar?
Acaba aqui a conversa.

Este pais não é para velhos...

Fui ao cinema ver o Bardem com MJC. O Filme foi quase à antiga, com intervalo e tudo, mas porra, duas horas meia para dizer o que se percebe na primeira meia-hora, ninguém merece.
Estamos sempre à espera que surja qualquer coisa nova, mas não. As tragédias sucedem-se. Ninguém pode nem consegue fazer nada. Ninguém compreende como é que se chegou àquele,(este) estado. Todos estão(são) espectadores. Deixem-me desabafar:
«Oh Javier, filho, andar com uma bomba de oxigénio desse tamanho só para rebentar umas fechaduras é mau para a coluna...»
Desilusão. (mais uma)

Casa do Vento
Episódio 2
A salona estava gelada.
- Mãe - disse ele - podemos fechar a fresta da janela?
- Estas casas ganham muito cheiro se não são ventiladas - retorquiu sem tirar os olhos da notícia da substituição de Camacho.
Ele levantou-se, foi até um dos quartos e embrulhou-se num cobertor de papa. Regressou à sala como se fosse um monge encapuçado.
Ela levanta-se de rompante e comenta:
- Já vi que estás para desconversar. Vou deitar-me.

Olivier, Café, boa comida, bons empregados, decoração comestível à excepção dos candeeiros que não se conseguem realmente engolir e muito menos cagar. Só não faz falta o Olivier, que não tem chama, nem tempero. Aqui.

República das Flores, linda. Só não é preciso levarem-na tão a sério. Não deixem lá o cu... senão ele vende-o.


Lisboazona... Beige,vou pintar o meu tecto de beige.

07/03/08

A maior liberdade...


Sapo,
roubei à Jeanne Moreau uma frase "muito lá de casa" e que ela confessou há muitos anos àquele que amava.

A (maior) liberdade é poder escolher aquele de quem seremos escravos.

Para ti, quase de parabéns... still crazy...

Tem a sua graça

Cheguei a Lisboa e todos os dias surgem notícias de assassinatos brutais. Um levou um tiro na cabeça, a outra morta à porta do carro, outro ainda foi esfaqueado com o pormenor de serem três facadas no coração. Perplexo, liguei a televisão e conheci o Inspector Barra perorando sobre a iminência de Lisboa ser invadida por pobres que partem montras e roubam tudo. Oh filhos, apliquem a receita baiana. Comprem-lhes grades de cerveja e chamem o Tony Carreira para um megaconcerto que isso passa. Se não resultar chamem o Pisirico para fazer um Pagodão...

Jantei em casa da Tampinha... com as gajas do blog. Conversámos, trocámos porcarias e ficou decidido que iria dar um curso intensivo: Mestrado em Desabrochar (atenção que neste caso o vocábulo não significa tirar da boca) e em Wash and go.

Maria João de Oxalá Estava linda. Trocámos carinhos e piropos. Está grande e anda num supé-colégio onde toca piano. Ainda gosta de assistir a ópera em DVD. No meio do jantar exclamou com a cabeça encostada a mim: «Porque é que vocês embirram com tudo o que é clássico?» Gosta dela e prontos!

Chef Rukas Pusemos o avental e fomos... Ainda me têm respeito porque fizeram as entradas todas comme il faut. Depois do Escocês Antigo continuámos a conversa e a janta. Que prazer!

Queixas Aqui queixam-se de tudo. Das rendas de casa, do aumento do pão, do aumento do café, do frio, do calor, dos transportes, da gasolina, da crise... porra. Venham ao Brasil que ainda por cima é um pais riquíssimo para verem o que é bom para a tosse. Porra!Faduncho, faduncho.
E os velhos? Foda-se! Os velhos só querem ir ao médico. A partir dos 50 anos só querem médicos, TACS, fisioterapia, comprimidos, pomadas, vacinas e tratamentos. A televisão está cheia de gajas a falar dos cancros aqui e ali, das suas dores, das doenças do coração, em vez de transmitirem filmes de pirocada à tarde enquanto os velhos estão acordados para afinfarem nas velhas e nas novas.
Velhos, exijam filmes para ensinar as mulheres a terem orgasmos.
Velhas, exijam filmes para aprender a fazer sexo oral.
Olhem, fodam, corram, façam sexo virtual na net, mas não vejam o Manuel Luís Goucha nem o Jorge Gabriel nem o João Baião. Esqueçam a Vila Faia e vejam a Vila Foda. Não funguem pelo Salazar, não levem a puta da vida tão a sério. Caguem no assunto e por amor de Deus: PAREM DE CORRER PARA OS MÉDICOS!

Lisboa está linda... É um prazer passear pela cidade. Tudo arranjado, limpo, organizado, os transportes maravilhosos, enfim... Lisboa, sereia pequenina que Deus guarda ao pé do Mar.

Teco, queres um croquete ou um selinho do Imperador?
Zitinha, as cuecas do Sanope.
Caco, um re-firming nádegas-gel...
Fefa, um filme indiano para chorar...